O Espiritismo - Uma Breve explicação

Tópicos Importantes

Para resumir, poderíamos dizer que o Espiritismo:

- não depende do direcionamento humano que se dê a seus princípios, pois cedo ou tarde a verdade é sempre restabelecida. Devemos cuidar, porém, para que os modismos, oriundos das permanentes mudanças a que a sociedade está sempre sujeita, não venham a manchar a fonte cristalina do entendimento maior, adiando a realização de planos superiores para com a humanidade.

“Torna-se inútil a elevação dos objetivos sempre que haja rebaixamento moral dos meios.” (André Luiz. Conduta Espírita);

- não adota ritos em seus cultos. O Espiritismo tenta evitar que a fé se cristalize nas práticas exteriores. Elas podem nos desviar dos verdadeiros propósitos morais, que são a nossa reforma íntima, conquistada no trabalho do bem, em meio à família e à sociedade. Isso não pressupõe, no entanto, deixar de compreender as necessidades religiosas de cada indivíduo afeiçoado a esse ou àquele culto religioso. Devemos nos amar acima de tudo.

“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade.” (Jesus. João, cap. 4. v. 23);

- não tem como objetivo fazer proselitismo (angariar adeptos) de forma mecânica. Tem, sim, o propósito de formar crentes que assumam sua responsabilidade perante a vida, evitando moldar os preceitos doutrinários a seus caprichos pessoais.

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me.” (Jesus. João, cap. 9, v. 23);

- pode não ser considerado da alçada da ciência oficial, sendo, porém, a ciência, da alçada do Espiritismo. A abordagem científica nos dá a base para qualificarmos os conhecimentos espirituais de forma mais lógica e razoável, mas ela é naturalmente impotente para ir além daquilo que está ao alcance de seus atuais meios de percepção. Por isso, o fator moral ou evangélico da Doutrina Espírita está acima de tudo.

“A ciência incha, mas o amor edifica.” (Paulo. I Coríntios, cap. 8, v. 1);

- não deve ser confundido com o espírita ou o centro de atividades doutrinárias. Estes são humanos, com suas falhas e acertos, e o Espiritismo é uma doutrina que propugna a moral superior e universal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus é o símbolo máximo de perfeição entre nós, e sua ética está acima de quaisquer superficialidades que um determinado ambiente religioso possa apresentar.

“ O reino de Deus não vem com aparência exterior.” (Jesus. Lucas, cap. 17, v. 20);

- não pretende combater o aspecto divino de nenhuma religião. Antes, sabe da necessidade delas no desenvolvimento da humanidade e ainda confirma e explica, racionalmente, muitos de seus princípios fundamentais.

“Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir.” ( Jesus. Mateus, capítulo 5, versículo 17);

- chama atenção para os erros que tendemos a cometer na questão religiosa, para que não caiamos nos desmandos sectários a que nos entregamos no passado.

“Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim.” (Jesus. Mateus, cap. 7, versículo 6);

- professa o cristianismo simples.

“A bandeira que erguemos bem alto é a do Espiritismo Cristão e humanitário.” (Allan Kardec. Item 350 de O Livro dos Médiuns);

- tem como finalidade lançar luz sobre a moral evangélica de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, torna-se duvidosa (para efeito de denominar-se espírita cristã) qualquer dedicação a estudo de cunho espiritual ou prática mediúnica que não estejam, em última análise, vinculados ao crivos e propósitos da ética evangélica (o amor, como o Cristo o exemplifica), não importando sob qual denominação tais atividades se encontrem.

“E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.” (Paulo. I Coríntios, Cap. 13, v. 2);

- é doutrina que se baseia na ciência física e extrafísica, o que alguns cientistas chamam de paraciência, e nos conhecimentos veiculados pela mediunidade vigiada eticamente.

“Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.” (João. I João, cap. 4, v. 1);

- inevitavelmente exorta a conclusões filosóficas e vivenciais de conseqüências religiosas profundas, no âmbito do cumprimento das leis de Deus, que são o amor.

“O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá.” ( Paulo. I Coríntios, cap. 13, versículo 8);

- é doutrina de libertação individual em proveito da sociedade, em que o crente assume a responsabilidade sobre seus atos e pelas conseqüências deles. Pela lei de causa e efeito o crente reconhece-se construtor de seu próprio destino e que, em se enquadrando na lei de Deus (o amor), poderá modificar esse mesmo destino para melhor.

“ E então retribuirá a cada um segundo as suas obras.” (Jesus. Mateus, cap. 16, versículo 27) – “O amor cobre uma multidão de pecados.” (Pedro. I Pedro, Cap. 4, versículo 8);

- é neologismo (palavra nova) criado pelo próprio Allan Kardec para distinguir a Doutrina Espírita de outras doutrinas espiritualistas.

“Para se designarem coisas novas são precisos termos novos. Assim o exige a clareza da linguagem, para evitar a confusão inerente à variedade de sentidos das mesmas palavras.” ( Allan Kardec. Livro dos Espíritos, Introdução, parte I);

- é legado dos Espíritos superiores àqueles interessados em suas elucidações consoladoras e admoestadoras.

“Repreendo e disciplino aqueles que amo...” (Apocalipse, cap. 3, v. 19);

- é do âmbito da busca da verdade. Ele se fundamenta na investigação racional e na elucubração filosófica do mundo físico (efeito) e do espiritual (causa), bem como nas razões morais para o embasamento de nossa conduta.

“E peço isto: que a vossa caridade abunde mais e mais em ciência e em todo o conhecimento.” (Paulo. Filipenses, cap. 1, v. 9);

- é consolação, já que faz uso do conhecimento superior para aliviar a dor moral e física do ser humano, e, de forma oportuna e sábia, esclarece didaticamente o aprendiz.

“Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora.” (Jesus. João, cap. 16, v. 12);

- é ecumênico, pois seu lema é: Fora da Caridade não há Salvação. Coloca, assim, o sentimento de identificação com Deus, o cultivo do amor e a prática da caridade, que é a lei, como fundamentais para a salvação espiritual do indivíduo, acima de quaisquer pontos divergentes entre os sistemas religiosos.

“Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não viu.” (João. I João, cap. 4, v. 20).