O Espiritismo - Uma Breve explicação

As Primeiras Obras - O Espírito de Verdade

As instruções contidas em O Livro dos Espíritos e outras mensagens formam um corpo doutrinário. Isso permitiu a Allan Kardec despertar para o fato de que, fazendo uso dessas instruções, era possível apreender o sentido mais profundo e real dos textos sagrados do Velho e do Novo Testamentos. Por isso o professor trabalhou arduamente na elaboração de uma nova obra, O Evangelho Segundo o Espiritismo, que veio mostrar a beleza, a profundidade e importância dos textos narrados pelos evangelistas de Jesus.

O codificador estava consciente de que, em matéria de evangelho, a moral era o ponto para o qual todas as crenças deviam convergir. Ele prefacia sua obra nesse sentido, pois era o resgate de uma prioridade.

Revivendo os valores do cristianismo primitivo, os princípios revelados pelos Espíritos superiores iluminavam o entendimento da doutrina do Cristo. O uso desses fundamentos vinha simplificar o estudo evangélico e mostrar a magnanimidade da obra de Jesus. A percepção teológica ganhava em clareza e perdia em complexidade.

Dentre os Espíritos eminentes que ajudaram no trabalho de Allan Kardec, o principal deles, que se colocou como orientador do codificador, se autodenominava O Espírito de Verdade. Ele nos lembrava da promessa do Cristo, que afirmara que nos enviaria um novo consolador, o Espírito de Verdade. Jesus dissera também que o consolador nos faria lembrar de tudo o que se nos havia sido dito, e muito mais, o que ainda não éramos capazes de suportar. A ética evangélica estava, assim, íntima e inseparavelmente ligada à missão da Doutrina dos Espíritos.

Se a Justiça de Moisés já nos havia indicado o caminho, Jesus trouxe a vida no Amor. O Espiritismo traz a Verdade, a terceira revelação que elucida por que o Cristo é, de fato, o Caminho a Verdade e a Vida.

Há os que podem ver nisso tudo uma presunção. Jesus também foi tido como presunçoso e punido como blasfemo. Cabe a nós descobrir a resposta para essa questão. Acreditamos que o estudo sério e desinteressado, a prática do bem, a oração e a meditação sadia sejam ferramentas valiosas para que cheguemos a uma conclusão madura.

Quase cento e cinquenta anos já se passaram desde a publicação de O Livro dos Espíritos. Os princípios e práticas da Doutrina Espírita grassaram em diversas partes do mundo e, em especial, no Brasil. Aos livros da codificação kardequiana – O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese – juntaram-se obras de médiuns respeitáveis, que não fogem à ética evangélica e doutrinária. Alguns as chamam de obras subsidiárias.

Depois de feito este breve histórico, sem a menor pretensão de falar em nome do Espiritismo, mas com singeleza, levantamos, a seguir, alguns pontos que acreditamos ser consenso no meio doutrinário. Esperamos que eles sejam elucidativos no que tange à Doutrina Espírita.