O Espiritismo - Uma Breve explicação

Por que a Nação Hebraica?

Em meio a tanta barbárie e ignorância, um povo se destacava: o povo hebreu. Abraão, o pai da nação hebraica, semeara em seus descendentes a fé no Deus Único, e o povo judeu, mais tarde, tornou-se um povo monoteísta. O Velho Testamento, na Bíblia, mostra a longa luta dos anjos do alto para guiar um povo e torná-lo fiel ao Deus por excelência, contra todas as tendências de adoração politeísta primitiva que os vários seguimentos daquelas sociedades antigas apresentavam.

O politeísmo torna difícil a qualquer povo a união em torno de uma só moral. Na múltipla adoração, o que um certo indivíduo tem como regra de conduta, inspirada na lealdade a um deus, um outro tem como errado ou irrelevante, perante a crença em outro deus. A sociedade, assim, não se civiliza. A verdade não pode estar presente em leis divinas que diferem em suas bases. A unidade de crença e a índole do povo hebreu foram determinantes para que recebessem em seu seio a base do código moral superior para toda a Terra.

O Decálogo - A Lei

Os dez mandamentos (decálogo) recebidos por Moisés, de forma profética, inauguraram um novo ciclo para a humanidade, e em especial para o povo hebreu. Eles, os mandamentos, ensejaram a ampliação das possibilidades de entendimento dos anseios divinos para com o ser humano. A percepção das intenções de Deus para conosco alcançou níveis mais profundos de abstração e densidade. Para efeito de consulta, podemos conferir em Êxodo, cap. 20, versículos 3 a 17 e Deuteronômio, cap. 5, versículos 7 a 21 (livros do Pentateuco, Antigo Testamento).

Numa análise mais judiciosa, veremos que aquelas leis (decálogo), reveladas por via profética (mediúnica) e transmitidas pelo grande profeta Moisés a seu povo, são ordens, têm sentido imperativo, e são afirmativas ou negativas (ex: “Honrai a vosso pai e a vossa mãe...”; “não mateis”). Elas são pouco explicativas. São comandos diretos que colocam a idéia de um Deus que se revelava através de Suas leis.

Esse aspecto didático nos sugere a comparação com fundamentos da psicologia freudiana. Freud diz que a criança adquire sua consciência de certo e errado por meio de leis externas que, a princípio, fazem com que ela aja sob coação − de forma artificial. Muitas vezes, portanto, ela atende, porém, contra sua vontade. No entanto, com o passar do tempo, essas leis se interiorizam no âmago da criatura. A criança de ontem se submete agora a uma lei interna, de dentro para fora, inalienável. Assim também acontece com povos primitivos, como os da antiguidade. A humanidade era uma criança que necessitava de ordens básicas e enérgicas para sua edificação como civilização. Apesar disso, não bastaram os dez mandamentos enviados por Deus a Moisés, no monte Sinai, para conter os impulsos da sociedade de então.

Para limitar a rudeza da sociedade de sua época, o líder do povo hebreu teve que decretar leis outras a fim de garantir o cumprimento das ordens divinas. Vamos chamá-las aqui de leis mosaicas propriamente ditas. Elas eram sanções advindas do pulso de um legislador humano. Eram revestidas, pois, de um caráter transitório. Enquanto o Decálogo (revelação divina) permanece atual, sendo fundamento dos códigos legais de países ditos civilizados, as leis mosaicas deram lugar, com o tempo, a outras mais adequadas ao estágio evolutivo humano. Um exemplo disso é a pena de apedrejamento, ordenada por Moisés, para quem fosse pego em adultério. Hoje, embora o fato de o adultério, em si, ser visto como algo negativo, a sanção humana para tal conduta tornou-se mais civilizada. Ninguém, portanto, será punido com a morte caso venha a cometer essa falta numa nação mais madura. Jesus mesmo nos pediu que pensássemos com mais clareza sobre a lei, na famosa passagem da mulher adúltera, que veremos mais adiante.

Moisés e os profetas deixaram o legado da aliança entre Deus e o povo de Israel. Entretanto, o tempo passou e as tendências humanas começaram a se mostrar mais fortes na obra por eles deixada. Ocorreu na religião hebraica o que acontecera antes e viria a acontecer depois, em várias outras religiões. Facções se formaram, cada uma pretendendo ter o monopólio da verdade e a melhor interpretação dos livros sagrados, para com isso, diversas vezes, obterem vantagens temporais. Os fariseus, por exemplo, citados por Jesus, eram bem severos quanto à exterioridade da lei. Eles criaram muitas regras, apegando-se mais à forma meticulosa e rebuscada que ao conteúdo e à essência. Transformaram-se, na maior parte, em opressores do povo, pois integrantes de seitas como a farisaica detinham poderes políticos. Eram, portanto, partes do poder do povo hebreu.

Mais de um milênio havia passado, após a morte de Moisés, e, tendo o povo de Israel se acostumado com os mandamentos da lei, chegara a hora de o Grande Messias vir, como já havia sido anunciado por inúmeros profetas, nos tempos anteriores a Ele. O Cristo viria viver o amor, a lei. É a vinda do Mestre maior.