O Espiritismo - Uma Breve explicação

A Promessa do Consolador

“Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará um novo Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: - O Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. – Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito.” (João cap. 14, v. 15-17 e 26)

Esta predição, não há contestar, é uma das mais importantes, do ponto de vista religioso, porquanto comprova, sem a possibilidade do menor equívoco, que Jesus não disse tudo o que tinha a dizer, pela razão de que não o teriam compreendido nem mesmo seus apóstolos, visto que a eles é que o Mestre se dirigia. Se lhes houvesse dado instruções secretas, os Evangelhos fariam referência a tais instruções. Ora, desde que ele não disse tudo a seus apóstolos, os sucessores destes não terão podido saber mais do que eles, com relação ao que foi dito; ter-se-ão possivelmente enganado, quanto ao sentido das palavras do Senhor, ou dado interpretação falsa aos seus pensamentos, muitas vezes velados sob a forma parabólica. As religiões que se fundaram no Evangelho não podem, pois, dizer-se possuidoras de toda verdade, porquanto ele, Jesus, reservou para si a complementação ulterior de seus ensinamentos. O princípio da imutabilidade, em que elas se firmam, constitui um desmentido às próprias palavras do Cristo.

Sob o nome de Consolador e de Espírito de Verdade, Jesus anunciou a vinda daquele que havia de ensinar todas as coisas e de lembrar o que ele dissera. Logo, não estava completo seu ensino. E, ao demais, prevê não só que ficaria esquecido, como também que seria desvirtuado o que por ele fora dito, visto que o Espírito de Verdade viria tudo lembrar e, de combinação com Elias, restabelecer todas as coisas, isto é, pô-las de acordo com o verdadeiro pensamento de seus ensinos. Quando terá de vir esse novo revelador? É evidente que se, na época em que Jesus falava, os homens não se achavam em estado de compreender as coisas que lhe restavam a dizer, não seria em alguns anos apenas que poderiam adquirir as luzes necessárias e entendê-las. Para a inteligência de certas partes do Evangelho, excluídos os preceitos morais, faziam-se mister conhecimentos que só o progresso das ciências facultaria e que tinham de ser obra do tempo e de muitas gerações” (A Gênese – KARDEC, cap. XVII, item 37).

Baseando-nos no que foi lembrado acima, de forma tão clara por Allan Kardec, poderíamos dizer que:

- quando nos deparamos com o fato de que Jesus não havia dito tudo, fica mais claro o processo didático para o qual temos chamado a atenção desde o início deste trabalho. É um processo registrado desde os tempos do Velho Testamento. É um aspecto relevante na apreciação do desenvolvimento espiritual da humanidade;

- só com o tempo e o desenvolvimento humano, os ensinamentos que Jesus havia reservado para depois poderiam ser revelados de forma mais extensa e clara;

- assim como Jesus respeitou as nossas limitações, a Doutrina Espírita também o faz. Ela nos esclarece que o homem evolui constantemente, e seu desenvolvimento moral indicará sua capacidade de percepção das coisas mais elevadas. A verdade é algo que se revela pouco a pouco. Sua concepção, no entanto, não pode fugir à ética primária dos mandamentos de Deus, como os revelados por Moisés nos Dez mandamentos, e vividos por Jesus, na condição de Mestre dos mestres.

Portanto, Jesus partiu, deixando-nos sua consoladora promessa. Séculos depois, o Império Romano instituiu o cristianismo como sua religião oficial. Roma passou a se imiscuir em assuntos religiosos e decretou o que seria herético de acordo com critérios baseados, muitas vezes, em seus interesses mundanos. Seguimentos sociais cristãos, que tinham como inquestionável o princípio da reencarnação no evangelho, foram considerados heréticos.