O Espiritismo - Uma Breve explicação

O Professor Rivail ( Allan Kardec )

Na história humana, poucos foram os que, diante de situações bizarras, tão desconhecidas, como o fenômeno das mesas girantes, e outros do gênero, usaram da humildade e da coragem, virtudes dos grandes homens, para enfrentar os fatos. Frente à própria ignorância, eles se dedicaram ao estudo e à constatação daquilo que muitos julgavam absurdo. Assim aconteceu com Galileu, Franklin, Darwin, Fulton e outros.

Dentre os poucos que se arriscaram na pesquisa dos eventos ditos paranormais no século XIX, encontramos: Camille Flammarion, conhecido astrônomo francês; o inglês William Crookes, chamado por muitos de pai da eletrônica; e o professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, discípulo de Johann Pestalozzi, renomado pedagogo. O professor Rivail, além de pedagogo, era matemático. Ele também detinha conhecimentos em várias outras áreas, como em línguas e astronomia. Rivail pesquisou o evento das mesas girantes e, em seus experimentos, averiguava e afastava a hipótese de fraudes, antes de prosseguir neles.

As primeiras manifestações inteligentes se deram por meio das mesas, já citadas antes aqui. Elas se levantavam e, com um dos pés, davam certo número de pancadas, respondendo sim, ou não a uma pergunta feita, conforme fora convencionado. Mais tarde, respostas mais desenvolvidas foram obtidas, com o auxílio das letras do alfabeto. Com a utilização de um código preestabelecido, chegava-se a formar palavras e frases que respondiam às questões propostas. Assim, Rivail conseguia, além de frases, textos inteiros. As comunicações inteligentes, então, começavam a revelar princípios e leis de notável relevância para o homem.

O professor Rivail teve seus esforços iniciais coroados no momento em que o próprio fenômeno revelou tratar-se dos Espíritos (ou gênios) dos homens que haviam habitado a terra. O fenômeno dizia que a vida continua após a morte.

Com o tempo, o professor Rivail e seus colaboradores passaram a aprimorar as comunicações. Os próprios Espíritos o guiaram nesse trabalho. Eles pediram que fosse usada uma cestinha e um lápis preso a uma de suas bordas, e com as mãos de voluntários tocando a outra borda, o objeto começaria a escrever. E assim aconteceu.

Muitas vezes, os textos tratavam de assuntos alheios aos conhecimentos dos presentes. Eram escritos com grafia, idioma e peculiaridades literárias características de cada Espírito manifestante. A cestinha impressionava, tendo em vista que seria muito difícil, senão impossível, fazer com que as pessoas que tinham suas mãos tocando a cesta combinassem exatamente o que iriam escrever, em que língua, e como expressariam sua opinião. Além do mais, as perguntas eram feitas na hora, e a cesta respondia de pronto.

Posteriormente, pessoas com faculdades psicográficas, que favoreciam esse intercâmbio entre os Espíritos e o plano físico, passaram a usar um lápis e uma folha de papel para transmitir as idéias que lhes eram inspiradas. Tais pessoas eram os médiuns psicógrafos.

O professor Rivail usou, mais tarde, o pseudônimo de Allan Kardec, nome sugerido pelos Espíritos.

Kardec partiu do princípio que verdade é verdade em qualquer lugar e em qualquer época. Com isso em mente, ele contou com ajuda de diversos médiuns de nacionalidades, idades e culturas diferentes, em diversos lugares no globo. O professor começou incrível trabalho, estabelecendo perguntas sobre os mais variados temas para que os Espíritos pudessem responder por meio de diferentes médiuns. Os Espíritos davam sua explicação sobre de onde viemos, para deveremos ir, por que choramos ou sorrimos.

Diante das respostas enviadas de diversas partes do mundo, Kardec compilou uma obra com mil e dezenove perguntas e respostas. Para classificar, porém, as réplicas dos espíritos, fez uso de um crivo filosófico rigoroso. Nascia O Livro dos Espíritos, de 1857.