Estêvão e Abigail – O Discurso da Essência na Obra Paulo e Estêvão

Objetivo destacado por Emmanuel

Somente o prefácio de Emmanuel já oferece material de meditação e estudo por muito tempo. Ali ele começa a corrigir as falsas noções que temos da personalidade de Paulo e explica o porquê de seu discurso essencial, listando algumas das causas:

  • As igrejas amornecidas da atualidade
  • Falsos desejos dos crentes
  • Tendência à ociosidade do espírito
  • Manifestações de menor esforço
  • Disputas de prerrogativas de Estado
  • Distanciamento do trabalho justo
  • Templos e devotos entregues às situações acomodatícias
  • Preferência pelas dominações e regalos de ordem material

Chamamos a atenção para o fato de a primeira edição de Paulo e Estêvão ter sido em 1941. O que estaria dizendo Emmanuel hoje com todo niilismo e materialismo da época atual?

Emmanuel também nos lembra que não podemos chegar a realizações superiores sem o auxílio daqueles que se nos mostram simpáticos. Sem a cooperação de Estêvão e de outras personagens na história, não teríamos o Paulo de Tarso que conhecemos.

A Essência

Posto isto, gostaríamos de rever com Kardec que o objetivo das reuniões religiosas, que se fundam na comunhão de pensamento...

“Deve ser o desprendimento do pensamento das garras da matéria. Infelizmente, em sua maioria, afastam-se desse princípio, à medida que fazem da religião uma questão de forma.” (Allan Kardec – Revista Espírita, Dez. 1868)

Entendemos que Paulo e Estêvão é obra de valor incalculável para qualquer cristão, mormente o espírita, pois revela soluções essenciais para o ser religioso individual e para a concepção religiosa coletiva, sem falar nos fatores históricos, que complementam de forma excepcional os estudos teológicos e Cristológicos sobre a igreja nascente, tornando-se, por isso mesmo, documento de destaque na comprovação da vida além da vida e dos postulados genuinamente cristãos, por meio da mediunidade profética de nosso saudoso Chico Xavier.

A obra Paulo e Estêvão é um chamado à fé na essência. Tal essência é simples, mas profunda. Saulo em seu farisaísmo tende a depositar sua fé nas chamadas obras da lei. Atitudes e rigores externos, sem a preocupação da auscultação sensível das razões primordiais do ser e da dor sob o enfoque do amor. Em seu discurso essencial, Emmanuel não despreza a forma, mas mostra-nos que não devemos confundir meios com fins. Como Jesus em Mateus 23:23:

“Ai - de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.”

Parece-nos uma constante nesta obra de Emmanuel a ênfase na questão da essencialidade. A fé nos valores espirituais. A certeza de nossa meta imaterial. A convicção nas virtudes celestiais e em suas recompensas. Há nela uma persistente avaliação de nossas mais profundas intenções nos campos da crença; como elas influenciam nos resultados de nossa redenção. Destacamos, por isso, alguns trechos de Abigail e Estêvão que, acreditamos,  confirmam este pensamento.

Abigail Enferma

Saulo enxerga Abigail como uma desalentada e melancólica. Acredita que os valores cristãos provocam tristeza, desolação e desinteresse pela vida. No capítulo 9, primeira parte, ele a adverte e pede que raciocine por si mesma. Ela responde:

— Enganas-te, Saulo! Não me sinto desanimada, embora convicta da impossibilidade de minha ventura terrena. Jesus não foi um mestre vulgar de sortilégios, foi o Messias dispensador de consolação e vida. Sua influência renovou-me as forças, saturou-me de bom ânimo e verdadeira compreensão dos desígnios supre­mos. Seu Evangelho de perdão e amor é o tesouro di­vino dos sofredores e deserdados do mundo.”

Saulo não se convence e, irritado, retruca:

“— Sempre o mesmo refrão — disse confuso — in­variavelmente, a afirmativa de ter vindo para os infeli­zes, para os doentes e infortunados. Mas, as tribos de Israel não se compõem apenas de criaturas dessa es­pécie. E os homens valorosos do povo escolhido? E as famílias de tradições respeitáveis? Estariam fora da influência do Salvador?”

Comentário - Não raras vezes nós confundimos propósitos superiores com desistência da luta terrena. De fato, somos sempre prevenidos pelos Espíritos elevados para que não voltemos às tendências ociosas de religiosidade do pretérito. Saulo vê esta imagem em Abigail. Como entende que os propósitos dela, frente aos interesses humanos, estão enfraquecidos, julga não haver objetivos de vida nela.

Abigail compreende o ponto de vista de Saulo, mas explica:

“— Tenho lido os ensinamentos de Jesus — respon­deu a moça com firmeza — e suponho compreender as tuas objeções. O Cristo, cumprindo a sagrada palavra dos profetas, revela-nos que a vida é um conjunto de nobres preocupações da alma, a fim de que marchemos para Deus pelos caminhos retos. Não podemos conceber o Criador como juiz ocioso e isolado, senão como Pai desvelado no benefício de seus filhos. Os homens valo­rosos a que te referes, os forros de enfermidades e so­frimentos, na posse das bênçãos reais de Deus, deviam ser filhos laboriosos, preocupados com o rendimento da tarefa que foram chamados a cumprir, a prol da feli­cidade de seus irmãos. Mas, no mundo, temos contra nossas tendências superiores o inimigo que se instala em nosso próprio coração. O egoísmo ataca a saúde, o ciúme prejudica o mandato divino, como a ferrugem e a traça que inutilizam nossas vestes e instrumentos, quando nos descuidamos. São poucos os que se recor­dam da proteção divina, nos dias alegres da fartura, como raríssimos os que trabalham à revelia do aguilhão. Isso demonstra que o Cristo é um roteiro para todos, constituindo-se em consolo para os que choram e orien­tação para as almas criteriosas, chamadas por Deus a contribuir nas santas preocupações do bem.” (Os destaques são nossos)

Comentário - Ela, no entanto, com inteligência, esclarece que está de posse dos mais importantes e vitais objetivos da vida. Ela fala de “desígnios supremos” ou essenciais. Entendemos que, sem eles, nossos propósitos se desvirtuam e nos levam às fatais desilusões e aos desenganos do mundo. Sermos imersos na matéria não deve pressupor sermos materialistas, confiarmos somente na matéria, em detrimento da fé em Deus e no Espírito.

Paulo se irrita e inquire de Abigail o porquê de ela destacar somente os desvalidos, esquecendo-se das pessoas eminentes e valorosas da sociedade. Ela então tenta mostrar a Paulo que os “forros”, quer dizer, os livres “de enfermidades e so­frimentos, na posse das bênçãos reais de Deus, deviam ser filhos laboriosos, preocupados com o rendimento da tarefa que foram chamados a cumprir, a prol da feli­cidade de seus irmãos” (destaque nosso). Ela explica que geralmente isso não acontece, já que o egoísmo toma conta de nossas vidas bem sucedidas.

Acontece, porém, que as pessoas das classes valorosas, como afirma Paulo – que em sua maioria são anuladas pelo egoísmo, vaidade e inveja, como ressalva Abigail  –, são elas mesmas que em geral se apoderam dos misteres da ciência, da filosofia e da religião no mundo. Com isso, o mesmo egoísmo, vaidade e inveja estarão presentes nos setores de redenção humana que poderiam, com seu conhecimento, tecnologia e poder econômico, fazer da terra um paraíso. Talvez por isso Jesus tenha dito:

 “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultastes estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.” (Mateus, 11:25)

Do contrário nosso egoísmo faria de nós feiticeiros sagazes utilizando de conhecimentos espirituais para a manipulação das massas, de acordo com nossos crivos distorcidos de busca individual.  

Somente se acreditarmos nos valores essenciais do Cristo, quais sejam, a fé nas recompensas do espírito, o poder do bem e da oração, a humildade, o perdão e a misericórdia, como bases para a fraternidade legítima, poderemos lograr resultados positivos no caminho da espiritualização e redenção de nós mesmos e da humanidade; estejamos nós em qualquer posição no mundo. Podemos pensar que isto seja algo muito utópico, mas cremos com Emmanuel que se começarmos a formar uma cultura de valores essenciais em contraposição à cultura do egoísmo, vaidade e orgulho, as virtudes acima citadas não serão somente um sonho, mas uma realidade a ser constatada em nossa sociedade futura.

Na prática, tal cultura redundaria no amor ao próximo e ao trabalho justo. A consequência seria a riqueza e a prosperidade, com sabedoria, para a sociedade como um todo em primeiro lugar e consequente espiritualização de nossas almas.

Abigail, já em Espírito, para Saulo, após sua conversão em Damasco.

Saulo, em pranto convulsivo, chorava sua situação de desespero e remorso, sentindo-se desprezado e rejeitado. Desdobrado do corpo, Abigail lhe diz: “ – Saulo, não te detenhas no passado, quem haverá no mundo isento de erros?! Só Jesus foi puro!”

Comentário – Condição basilar do recomeço de todas as almas, Abigail lava o violento remorso de Saulo. A necessidade de olharmos para o passado, para não perdermos os frutos da reflexão não deve ser confundida com nossa estagnação no pretérito. Esta seria perigosa para nossa ascensão.

Emmanuel comenta que Saulo começa a se lembrar das realizações humanas que teria perdido em sua vida. Em contato com Abigail, relembra as possibilidades de um lar, filhos, quando Abigail, captando seus pensamentos, responde:

“Nunca nos faltará um lar...Tê-lo-emos no coração de quantos vierem a nossa estrada. Quanto aos filhos, temos a família imensa que Jesus nos legou em sua misericórdia...Os filhos do Calvário são nossos também...Eles estão em toda a parte, esperando a herança do Salvador.”

Comentário- Para qualquer um de nós que tenha uma vida relativamente estável, constituída de forma socialmente aceita, talvez seja difícil enxergar a magnitude de tais palavras. Mas para alguém como Saulo, que havia caído dos cimos da glória social para o descrédito e a “marginalidade”, a fé em tais valores, que sabemos serem os essencialmente verdadeiros, era tudo. Era a herança do Salvador, o galardão que, já naquele momento, segundo Emmanuel, ele, Saulo, estava recebendo, com a misericórdia do encontro de indizível ventura com Abigail, mesmo antes de realizar sua tarefa de redenção. Ela continua:

“Não te entregues ao desalento; nossos antepassados conheceram o Deus dos Exércitos, que era o dono dos triunfos sangrentos, do ouro e da prata do mundo; nós, porém, conhecemos o Pai, que é o Senhor de nosso coração. A Lei nos destacava a fé, pela riqueza das dádivas materiais nos sacrifícios; mas o Evangelho nos conhece pela confiança inesgotável e pela fé ativa ao serviço do Todo-Poderoso. É preciso ser fiel a Deus, Saulo! Ainda que o mundo inteiro se voltasse contra ti, possuirias o tesouro inesgotável do coração fiel. A paz triunfante do Cristo é a da alma laboriosa, que obedece e confia... Não tornes a recalcitrar contra os aguilhões. Esvazia-te dos pensamentos do mundo. Quando haja esgotado a derradeira gota da posca dos enganos terrenos, Jesus encherá teu Espírito de claridades imortais.”

Comentário - Lembremo-nos que Abigail não está conversando com um homem na glória de seus feitos santificantes. Ela fala com alguém que cometeu erros clamorosos no campo da intolerância religiosa. Alguém que levou um santo à morte.

A confiança a que Abigail se refere é mais profunda, pois confiança Saulo trazia em si antes de se converter; mas acreditamos que tal fé era manchada pelo seu orgulho de raça, presunção e vaidade. Até que ponto, nós também acreditamos piamente nos valores opostos a esses do antigo Saulo? Até que ponto acreditamos no discurso de Abigail? Para salvaguardar a segurança numa fé verdadeira e não recalcitrar contra os aguilhões, Abigail dá a sentença primordial: “Esvazia-te dos pensamentos do mundo”. Sem fé nesse valor da desmaterialização de nossos propósitos, como Allan Kardec assevera acerca do objetivo de uma assembléia religiosa, toda confiança e fé contundente pode trazer intolerância, falso zelo, dogmatismo ou fanatismo religioso.

Poderíamos, como fez Saulo, retrucar dizendo que este pensamento de Abigail é contrário ao progresso material. Se o nosso objetivo começar a ser, no entanto, seres espirituais, nossa capacidade de renúncia em prol da humanidade será dilatada e serviremos muito mais, por muito menos. A terra seria em pouco tempo um paraíso de prosperidade para todos. Reconhecer os reais propósitos da vida trará fatalmente uma mudança de valores, como aconteceu com os primeiros cristãos. Não nos consta que os milhares de adeptos do cristianismo nascente eram todos santos. Nem por isso, classificavam Pedro ou Paulo de loucos estoicistas, por mais que não conseguissem lhes acompanhar todos os passos da santidade.

Estêvão

Estêvão está ante Saulo e o Sinédrio. Ele se surpreende com a condição de seus compatriotas defensores dos valores religiosos e morais de Israel. Cap. 6, primeira parte. Respondendo às acusações de Saulo, ele diz:

“Falais de Moisés e dos Profetas, repito. Acreditais que os antepassados veneráveis mercadejassem com os bens de Deus? O grande legislador viveu entre expe­riências terríveis e dolorosas. Jeremias conheceu longas noites de angústias, a trabalhar pela intangibilidade do nosso patrimônio religioso, entre as perdições de Babi­lônia. (destaque nosso)

Comentário - Destacamos a frase acima, porque, mais uma vez, Estêvão tenta explicar a seus compatriotas o objetivo essencial da religiosidade intangível, que se manifesta em obras tangíveis eternas para a humanidade.

“Nossa concepção de justiça é fruto de um labor milenário, em que empregamos as maiores energias, mas sentimos, por intuição, que existe algo de mais elevado, além dela.” (destaque nosso)

Comentário – Estêvão, corajoso, fala de sentimentos e intuição num meio tão árido e politizado quanto o sinédrio. Nem por isso, deixa de salientar que há algo maior que a justiça, como seus irmãos de raça a viam.

“As lições do passado não estão cheias da palavra “misericórdia”? Algo nos fala à cônsciência, de uma vida maior, que inspira sentimen­tos mais elevados e mais belos.”(destaque nosso)

Comentário – Somente um homem que objetiva ideais morais eternos e essenciais, que pressente seus momentos finais falaria com tal humildade e sinceridade diante de um tribunal que detinha o poder de lhe acabar com a vida terrena, sem desistir de dar um último recado àqueles que, provavelmente, havia milênios, se apegavam às formalidades inteligentes da religiosidade mundana. Estêvão fala de misericórdia nas lições do Velho Testamento, sergundo Jesus, um dos principais pontos a serem observados na justiça. No mesmo discurso, Estêvão prossegue dizendo:

“Ingente foi o trabalho no curso longo e multissecular, mas o Deus justo res­pondeu aos angustiados apelos do coração, enviando-nos seu Filho bem-amado — O Cristo Jesus!” (destaque nosso)

Comentário – “Angustiados Apelos do coração”. Deus responde aos nossos verdadeiros apelos mais íntimos e essenciais. André Luiz, para que se visse distante da vaidade costumeira que, segundo ele, detinha no mundo, permaneceu longos anos nos umbrais da vida espiritual, para que algum dia florescesse nele a real humildade e o apelo sincero da busca de Deus, e ele poder ser resgatado.

A Necessidade do Cristo

Estamos tão acostumados com a assertiva da necessidade de cristianização que muitas vezes achamos lugar comum e repetição enfadonha esse refrão.

O problema é que, não poucas vezes, tal necessidade nos escapa ao entendimento e à concepção. Poderíamos até, por exemplo, entender que o Espiritismo, com todo o seu acervo doutrinário, encerra em si as verdades do Evangelho, sendo ele (o Espiritismo), auto-suficiente nesse particular.

Acreditamos, no entanto, que se assim fora, os Espíritos superiores não teriam colocado o Cristo como o ícone moral a ser seguido. Teriam dito que o Cristo havia sido o nosso Mestre por excelência, mas que agora, o Espiritismo por si só poderia fazer esse papel. Por que então não o disseram? Por que Allan Kardec escrevera “A bandeira que desfraldamos bem alto é a do Espiritismo Cristão Humanitário”?

Entendemos que, mesmo que concebamos que o Espiritismo encerre em si toda a moral Evangélica, ele é ainda uma doutrina, enquanto Jesus pregou, viveu e exemplificou, da forma mais profunda já testemunhada na terra, a verdade do amor na dimensão didática máxima que poderíamos suportar, e isso ninguém mais até hoje fez. Nenhum Espírito da codificação, a não ser o próprio Cristo, viveu de forma profunda e abrangente o que Ele viveu. Por isso é que se diz: “Jesus é a porta, Kardec é a chave”, e não vice-versa. O Espiritismo é a verdade e o Cristo é O Caminho, A verdade e a Vida; vida que sempre vai além de qualquer teoria.

A doutrina – tanto evangélica quanto espírita – está escrita, mas só Jesus é a prova da possibilidade real; é o exemplo da Lei vivida, da forma que Deus a concebe para nós. Ele não é só a teoria escrita, teoria esta que, com nossa capacidade intelectual embasada na vaidade e no orgulho, poderá facilmente ser posta a serviço de nossos caprichos e tendências individuais e coletivas, como a cristandade tradicional, salvo exceções, já fez com o Evangelho.

Apelar para Jesus e Seu Evangelho é uma condição didática primordial. E mesmo assim, Allan Kardec nos previne na introdução de seu Evangelho Segundo o Espiritismo, que os compêndios evangélicos de então com “o arranjo em moderno estilo literário lhe tiram (do evangelho) a primitiva simplicidade que, ao mesmo tempo, lhe constitui o encanto e a autenticidade”, quando explica que enfoque essencial decidiu ele dar ao estudo dos Evangelhos.

Onde então a saída? Acreditamos com Emmanuel, mais uma vez, que a saída é a confiança, a fé na moral evangélica antes de tudo, sob pena de o segmento espiritista – não o Espiritismo em si – se transformar em mais uma seita espiritualista, intelectual e até socialmente de elite, enquanto o Espiritismo real pulsará grandioso lá fora, em meio aos que vibram, sofrem e prosperam com Jesus, como tem sido com as comunidades judaico-cristãs que ficaram registradas como fonte de inspiração para todos os tempos. Como nos dizeres do benfeitor Emmanuel, no livro Deus Conosco, item 28 das mensagens de 1938:

“Há necessidade de que se organize uma consciência   espírita na base da filosofia simples do Evangelho, apta a orientar os sentimentos coletivos num sentido de direção, dentro dos sagrados objetivos da paz e da fraternidade. É em virtude da ausência dessas diretrizes que muitas obras de benemerência social, filhas do esforço e da abnegação dos espiritistas, se têm perdido no confusionismo da época.” (Destaque nosso)

Como Emmanuel nos lembra no prefácio de Paulo e Estêvão, “Jesus não é um mestre de violências”. Cremos que nós também não o devemos ser. A cultura dos valores evangélicos verdadeiros nos dará a intuição de onde poderemos ir, no caminho da fé, sem violentarmos a nós ou aos outros. Dar-nos-á também o respeito devido a cada um de nós, pois, como a obra nos mostra, a igreja cristã comporta todos os tipos de personalidades, desde que sob a bandeira da fraternidade.

Crer nos valores evangélicos essenciais não poderá pressupor santidade compulsória. A fé na humildade nos fará perder o medo do conhecimento maior, pois ele geralmente nos faz sentir menores, insignificantes. Entendemos ser por isto que Estêvão diz aos Fariseus, no capítulo 6, primeira parte:

“Se vossos protestos se fundam nesse receio, calai-vos para que eu continue (...), entretanto, se expressais desespero e revolta, recordai que não poderemos fugir à realidade da nossa profunda insignificância.”

Concluímos que, de fato, são...

“Bem aventurados os pobres de espírito, pois deles é o reino dos céus”. Jesus